Enxadrista Vive em Casa Simples em Taubaté(Jornal Vale Paraibano - 27.08.2000)
Radicado em Taubaté desde 88, o gaúcho Henrique Costa Mecking vive em um microcosmo espiritual e particular. Isolado de tudo e de todos, sua rotina resume-se em ir à igreja e estudar as aberturas do xadrez.
O grande mestre fica sabendo das notícias por meio de conversas com os frequentadores do movimento Renovação Carismática.
"Mas não preciso disso. Minha vida é um mar de rosas e estou bem somente com o essencial."
Mesmo vivendo uma rotina franciscana, Mequinho é vaidoso. Antes de conceder esta entrevista, pediu ao repórter fotográfico Luciano Coca, do Vale-Paraibano, que esperasse ele fazer a barba para só depois tirar as fotos que ilustram a matéria.
"O dia foi uma correria e não deu tempo para me barbear", justificou.

  • Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida pelo enxadrista à reportagem do Vale Paraibano.

    VP - Quais os fatores que motivaram seu retorno às competições?
    Mequinho - Todas as decisões da minha vida são colocadas diante de Deus. Quando quer, Ele me dá uma resposta. Há três anos, os diretores do Centro Empresarial de São Paulo (que promoveu o Match Desafio) chegaram em casa e pediram para eu jogar uma simultânea. Eu disse não. Sabia que a resposta era não. Só agora é que a resposta foi sim.
    VP - E por que demorou três anos para mudar essa resposta?
    Mequinho - Me parece que foi por causa da proximidade do final dos tempos, que acontecerá no dia 31 de dezembro.
    VP - Não é estranho Deus dar um sinal positivo (sobre a volta) e o senhor ser derrotado logo na reestréia?
    Mequinho - Não tive tempo para estudar todas as aberturas com profundidade. há cinco anos não jogava nenhuma partida, eu sabia desse perigo. Mas tive que aceitar.
    VP - Até onde o senhor pretende chegar com o xadrez?
    Mequinho - Quero sensibilizar as pessoas. Por isso gostaria de ter ganho o Match contra o Vescovi, mas o objetivo não foi cumprido 100%. Quero jogar tão bem, que todos vejam que Jesus faz maravilhas através de mim. Não adianta eu começar a perguntar porque vão dizer: "Pôxa, esse cara fala tanto em Deus e só perde". Eu não penso assim, mas pode ser que os pagãos pensem.
    VP - Qual o segredo para voltar a ser um dos melhores do mundo?
    Mequinho - Primeiro tenho que cobrir todas as aberturas, isso vai durar uns dois meses. Agora que tenho computador posso jogar com outros adversários e voltar a ser fluente.
    VP - Em 87, o senhor tentou ser padre e não conseguiu. Como foi?
    Mequinho - Fiz teologia e filosofia. Por razões opostas a minha vontade eu não consegui ser padre na Diocese de Taubaté. O bispo teria que aceitar, mas antes isso é submetido a um conselho de vários padres e se algum tiver algo contra fica difícil.
    VP - Qual foi então o motivo que atrapalhou seus planos?
    Mequinho - Eu sigo rigorosamente a linha do Papa. Infelismente nem todos são assim.
    VP - O senhor guarda alguma mágoa?
    Mequinho - Não, eu poderia tentar em outra cidade. Como eu sei que a vinda de Cristo será em breve, se eu fosse ser padre teria que ficar um ano sendo examinado e não daria tempo. Por isso é que a resposta para eu voltar a jogar foi positiva.
    VP - E como andam os convites para participar de torneios e competições?
    Mequinho - Se eu quiser, posso jogar torneios em Portugal, Cuba, São Paulo e Porto Alegre. Estou pensando. Atualmente negocio uma participação em São José do Rio Preto. As outras vou tratar em breve.
    VP - O que o senhor gostaria de pedir aos leitores?
    Mequinho - Que rezem muito por mim e pelo bem do Brasil.
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